CONSUMO COLABORATIVO: UM CONTRAPONTO SOBRE O COMBUSTÍVEL CAPITALISTA
Numa sociedade forjada sob a ótica do conforto, solidificado pelo consumo, desprender-se de tais estados torna-se tarefa árdua, mas, enfim, assim como a esperança, ainda florescem utopias.
Pode soar estranho, ou até mesmo, para muitos, parecer um discurso hipócrita, já que todos que sobrevivem em meio à floresta capitalista sucumbem de maneira ou outra aos benefícios e ou comodismos de uma vida consumista. Mas o que torna esse sistema desprezivelmente deteriorante é um único, porém decisivo fator chamado EXCESSO.
Consumir, eis o verbo que define nosso tempo. É fato que a viabilidade da vida não seria possível sem ele, porém é crível que seu excesso é tão prejudicial à existência quanto ao seu oposto "o nada consumir". Uma vez saciada as necessidades biológicas básicas o consumismo adquire novos ares e passa a ser o combustível propulsor da imensa máquina capitalista, influenciando a maneira de pensar e de agir e interferindo drasticamente no comportamento da coletividade humana.
O sistema capitalista é reflexo de uma civilização oportunista domada pelos ásperos sentimentos de ambição e ganância, que originaram o processo de fabricação e criação das falsas necessidades, que mascaram a real situação humana em prol ao cultuado "progresso econômico".
Mas que progresso seria esse? Àquele que se ancora na desenfreada e inconsequente exploração extrativista, apoiado pela inclusão social através do almejado emprego, muitas vezes estafante, reduzindo aqueles que dele se apossam, a uma impessoalidade sufocante e angustiante, uma vez que ao perdê-los ficarão desprovidos do capital e consequentemente inservíveis ao ciclo consumista. E tudo isso em defesa do lucro, mas lucro de quem? Seria o maravilhoso progresso o sinônimo de excesso?
Num mundo cada vez mais interligadao digitalmente, conceitos como este tendem a ganhar força, uma vez que a comunicação não é mais frontal, e sim lateral. Todos podem desempenhar o papel de emissores e receptores concomitantemente, ou olhando pela ótica econômica, fornecedores e consumidores.
Alguns pequenos nuances desta análise um tanto quanto otimista, podem ser percebidos aqui, agora, dentro da própria era digital, onde o acesso a informação é ofertada de forma livre e gratuita, como a OBVIOUS que desempenha o papel de revista virtual, um canal gratuito de acesso cultural e crítico, construído com artigos e textos de escritores anônimos interligados pela necessidade de expressão.
Ainda é cedo para se ter uma ideia da força do consumo colaborativo, pois não se trata de um mero conceito abstrato de transação comercial, mas sim um novo estilo de vida, baseado na sustentabilidade, no cooperativismo, na confiança e no senso coletivo e que pode vir afetar de forma drástica os ditames que regem o atual conceito do progressismo humano, ou devido aos fatores das já conhecidas forças condicionantes vir a tornar-se apenas mais uma prazerosa e envolvente sensação de utopia.

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